Entrevistas

Desafios na Gestão de Frota

Escrito por: Renato Mello

Para falar sobre os desafios na gestão de frota convidamos Victor Afonso Coelho, Coordenador de Frotas da JLL, multinacional de serviços imobiliários corporativos. Com mais de nove anos de experiência em B2C e B2B, ele atua como Executivo de Vendas. O executivo tem expertise em gerenciamento de pipeline e afirma ser apaixonado por tecnologia e mobilidade, temas que vem adquirindo novos aprendizados a cada experiência no mercado de trabalho.

A Younder produziu, em parceria com o Canal Mova-se, uma série de entrevistas em vídeo com gestores de frota sobre os desafios do setor para alcançar os melhores indicadores e resultados em suas operações.

Nesta conversa, Victor fala da importância da capacitação dos motoristas e como identificar as deficiências da equipe, entre outros assuntos. Para ele, uma política de frota clara e bem estruturada, aliada à interpretação inteligente de indicadores obtidos por ferramentas como a telemetria, são aspectos fundamentais para uma boa operação. 

Veja o vídeo desse bate-papo esclarecedor que ele teve com o Paulo Bogo, do Mova-se. Eles conversam sobre o que é preciso para obter o diferencial da alta performance em mobilidade.

Se preferir, leia logo abaixo os principais tópicos dessa conversa. 😉

O principal desafio é garantir a segurança dos condutores

“Quando a gente fala em segurança, a vida vem em primeiro lugar. Então é importante você conscientizar os condutores que estão dirigindo os veículos corporativos e garantir que eles conduzam da melhor maneira possível.

É evidente que a redução de custo também é um desafio muito grande. Você precisa buscar a eficiência através da melhoria dos seus processos de gestão de manutenção, sinistro, multas. E a tecnologia é uma aliada no nosso dia a dia para buscar essa eficiência.”

Leia também: Treinamento para motoristas: Guia completo de capacitação de frotas.

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Boa gestão de frotas já começa na contratação

“Sem dúvida, é um ponto muito importante quando a gente fala na contratação de um parceiro, eu não preciso necessariamente buscar um fornecedor, eu preciso muito mais que isso, eu preciso encontrar um parceiro.

E não existe um fornecedor ruim ou melhor, existe aquele que tem maior aderência às suas necessidades. Então, o fator inicial que exige atenção é identificar quais são as minhas necessidades e qual é o fornecedor que vai me atender melhor e, aí sim, buscar uma parceria.

E falando um pouco a respeito do mercado e dos profissionais, a gente tem uma onda de profissionalização muito grande nos últimos anos, onde esse mercado de gestão de frotas oferece agora cursos de pós-graduação na área e, também, certificação internacional.

Então, hoje, o gestor de frotas fatalmente já culmina para um gestor de mobilidade.”

Leia também: O que faz um gestor de frota? Entrevista com Raphael Muller.

A importância da política de frota

“A política de frota é o documento chave para a operação, porque lá você tem os direitos e deveres do condutor. Então, a companhia que não tem uma política de frota clara e objetiva tem muita dificuldade para colocar o seu modelo de gestão.

Então, quando a gente fala de política de frota, lá tem quais são os tipos de frota, se é benefício, se é ferramenta de trabalho, as regras de utilização, o que pode ser utilizado, onde não pode ser utilizado.

Necessariamente, quando você não tem isso claro, você vai gerar várias reclamações dos condutores e a empresa dá margem a ter custos extras e isso, claro, nenhuma empresa deseja ter. Então é um documento essencial para a gestão de frota.”

A telemetria como aliada na gestão

“Sem dúvida a telemetria é um item essencial. Eu diria que primordial para quase toda a frota de veículos corporativos. Mas o primeiro passo, antes de implementá-la, é saber quais são as minhas necessidades.

Porque a telemetria é uma ferramenta de tecnologia que traz uma série de dados, relatórios e KPIs.

Mas o que eu vou fazer com isso? Para que eu dê o segundo passo, necessariamente, eu preciso saber onde eu quero chegar e quais são as minhas deficiências: Tenho uma deficiência de custos? Tenho uma deficiência de consumo de combustível? Insegurança? Multas?

Aí sim eu vou fazer uma implementação de maneira adequada.”

Pouco adiantam muitos dados se você não souber o que fazer com eles

“A telemetria traz uma série de informações como excesso de velocidade, como aceleração, frenagem… Ela traz alertas também de uma série de sensores do veículo. Você pode delimitar a utilização por perímetro.

É uma ferramenta de tecnologia que nos traz muitos dados, só que precisamos saber onde queremos chegar e o que queremos com esses dados.

A análise e o tratamento desses dados vão, sim, fazer com que a telemetria seja uma aliada na minha gestão de frotas.”

Identificando as deficiências a partir da interpretação dos dados

“Você pode, a partir dos dados da telemetria, identificar o comportamento dos condutores. Aí, se pode elaborar um ranking e identificar quais são os condutores que estão com um desvio de comportamento na condução veicular, acima do permitido, que excede a conduta correta no trânsito.

Então você pode trazer esses condutores para participar de treinamentos voltados a sua necessidade. Seja numa condução em rodovia, seja numa condução urbana, seja prevendo a redução de multas e o excesso de velocidade. Enfim, trabalhar capacitando esses condutores para que eles entendam a melhor maneira de conduzir um veículo.

Leia também: Relatório de ranking de motoristas: sua importância na redução de custos da frota!

Pesquisa com mototaxistas

Identificando as deficiências a partir da interpretação dos dados

“Você pode, a partir dos dados da telemetria, identificar o comportamento dos condutores. Aí, se pode elaborar um ranking e identificar quais são os condutores que estão com um desvio de comportamento na condução veicular, acima do permitido, que excede a conduta correta no trânsito.

Então você pode trazer esses condutores para participar de treinamentos voltados a sua necessidade. Seja numa condução em rodovia, seja numa condução urbana, seja prevendo a redução de multas e o excesso de velocidade. Enfim, trabalhar capacitando esses condutores para que eles entendam a melhor maneira de conduzir um veículo.

Leia também: Relatório de ranking de motoristas: sua importância na redução de custos da frota!

Qualidade de vida que se reflete em ganhos para todos

“Um ponto que é primordial e a gente busca, é a valorização da vida do colaborador, a qualidade de vida. Então quando a gente fala de um sinistro, um evento de sinistro que possa a vir a vitimizar, ou não, ele tem algumas dezenas de multas que ocorreram anteriormente.

E antes dessas multas ocorrerem, aconteceram centenas de desvios na condução. E é exatamente nesse ponto que nós queremos atuar.

Então, quando eu trabalho na capacitação, eu vou pegar o início dessa base que são os desvios e aí eu vou evitar que esses desvios gerem uma multa, um sinistro e, naturalmente, eu vou ter um colaborador mais feliz porque ele vai saber como conduzir o veículo, conduzindo de maneira segura e eu vou deixá-lo, obviamente, menos tempo parado, ele não vai se ausentar por motivos médicos, e esse é o nosso objetivo.”

Telemetria e sustentabilidade

“Quando falamos de telemetria a gente fala exatamente disso, que é manter uma frota eficiente, manter uma frota mais segura e manter uma frota mais sustentável. Por exemplo, com todas as medidas que podem ser desenvolvidas na gestão de frotas através da telemetria, a gente pode implantar um programa de consumo reduzido de combustível, de consumo eficiente.

Dessa maneira, obviamente, a gente vai atingir uma redução na emissão de CO2 e claro, a gente vai atingir uma frota mais sustentável. Isso não traz benefícios somente para o condutor, traz para a empresa, traz para todos os colaboradores, traz para a sociedade e para o meio ambiente.”

Treinar é fundamental

“Com certeza, (treinar) é fundamental. E é um ciclo. Quando a gente fala de cultura de segurança, eu preciso medir, eu preciso capacitar, treinar e eu preciso acompanhar esse resultado. Então esse ciclo precisa ser contínuo.

Então não é simplesmente uma ação única de treinamento ou só pegar um dado e não tratar. Eu preciso fazer todo o ciclo, e de maneira contínua buscar a eficiência da minha frota.”

VEJA TAMBÉM: “Gestão de frotas eficiente salva vidas” – Entrevista com Flávio Tavares, líder do Instituto PARAR e uma das mentes que transformaram a GolSat, empresa voltada a soluções de telemetria, em referência internacional.