Treinamento equipes técnicas

Como criar a cultura de segurança nas empresas

Escrito por: Carlos Bafutto

Já tem algum tempo que a criação de uma cultura de segurança nas empresas é vista como uma das prioridades, mesmos assim, no Brasil ocupa a 4ª posição no ranking mundial de acidentes no trabalho.

O tema ganhou as atenções de todo o mundo a partir de 1986, após o acidente nuclear de Chernobyl, na cidade de Pripyat que atualmente é território da Ucrânia.

Além de erros no projeto dos reatores, o relatório técnico sobre as causas do desastre apontou falhas humanas por parte dos operadores que descumpriram vários itens do protocolo de segurança.

Atualmente o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial dos acidentes de trabalho, com cerca de 700 mil casos por ano.

De acordo com dados da Previdência Social, entre 2014 e 2018 foram registrados 1,8 milhão de afastamentos por acidente de trabalho e cerca de 6.200 trabalhadores morreram vítimas de acidentes laborais.

Esses números dão a dimensão do problema e acendem o alerta de que precisamos avançar muito na implantação de políticas de criação e fomento de uma cultura de segurança das empresas.

Vamos ver a seguir ‘por que’ e ‘como’ criar a cultura de segurança nas empresas! Vamos nessa?

O que é cultura de segurança?

A cultura de segurança nas empresas é o conjunto de comportamentos e posturas guiados por uma mentalidade consciente e responsável em relação à segurança pessoal e coletiva.

Trata-se do respeito genuíno de cada colaborador às normas de segurança e bem estar dentro e fora da organização.

Evidentemente, para que isso aconteça, essa mentalidade deve estar presente em todos os níveis hierárquicos da organização, desde os operacionais e de suporte até os de direção.

Nesse sentido, uma cultura de segurança positiva também pode ser caracterizada pela percepção geral sobre a importância da segurança e pela confiança de todos na eficácia das medidas preventivas.

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Como criar uma cultura de segurança na empresa?

Para criar uma cultura positiva de segurança em uma empresa, é preciso primeiro identificar onde estão os riscos. Um bom começo é o diagnóstico de segurança, aplicado em empresas, para avaliar os riscos aos colaboradores durante o trabalho.

A partir desse diagnóstico, a equipe de segurança do trabalho terá indicadores para saber onde atuar e quem precisa ser capacitado.

Sim, as capacitações e treinamentos serão parte intrínseca do processo de implantação de uma cultura de segurança no trabalho nas empresas.

Para além das capacitações dos colaboradores das áreas chave em relação à segurança, é fundamental promover o máximo possível de informação a todos os setores da organização.

Cada indústria tem suas próprias normas técnicas e gerais de segurança que devem ser amplamente difundidas por meio dos canais de informação disponíveis de forma a proporcionar uma conscientização coletiva.

A partir disso é preciso encorajar e reconhecer os colaboradores pela boa observância das normas, bem como, pelas boas atitudes.

O comprometimento deles será proporcional ao sentido que eles perceberem em cada postura, tanto por meio de campanhas de sensibilização como pela prática cotidiana.

Recomendamos a leitura

Qual a importância da Saúde e Segurança do Trabalho – SST nas empresas?

As normas da SST visam garantir a segurança e a salubridade no ambiente de trabalho.

Mais que o bem estar dos colaboradores elas contribuem em uma série de aspectos que tornam os processos de organizações de diferentes setores mais eficientes trazendo mais retorno à operação.

A Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT

A SIPAT tem o objetivo de orientar e conscientizar os funcionários de uma organização sobre temas relativos à prevenção de acidentes do trabalho e às doenças ocupacionais.

A realização anual do evento é obrigatório para empresas com Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) constituída.

A ideia é sensibilizar os colaboradores de uma empresa sobre os riscos de acidentes inerentes a cada tipo de trabalho, bem como as doenças laborais.

Mais que o cumprimento da legislação, a SIPAT oportuniza a continuidade e o destaque dos esforços de uma CIPA para garantir mais segurança laboral.

Como citamos acima, a CIPA é responsável pela elaboração da SIPAT em parceria com o SESMT e colaboradores voluntários.

Os eventos podem ter atividades como treinamentos, capacitações, palestras, dinâmicas, gincanas educativas, enfim, tudo o que a proatividade e a criatividade dos membros da comissão for capaz de levar aos colaboradores.

4 pontos importantes para implantar a cultura de segurança

1 – Treinamentos e capacitações

Não há que se falar em cultura de segurança em empresas sem o fundamental: os colaboradores devem estar tecnicamente capacitados para realizarem seus ofícios com segurança.

As normas técnicas de cada empresa devem ser repassadas aos colaboradores de forma clara e sistematizada. 

A periodicidade de treinamentos e capacitações deve ser definida de acordo com as necessidades de cada organização, mas é muito recomendável a criação de uma cultura de treinamento, com uma agenda de atividades mensal, trimestral, semestral e anual.

DICA: A atividade anual pode ser a culminância das demais atividades durante a SIPAT.

Leia também: Como montar um treinamento on-line

2 – Análise e Diagnóstico de riscos

A análise contínua dos riscos inerentes às atividades de uma organização é uma necessidade para empresas de diversos setores. E os engenheiros de segurança no trabalho sabem disso. A segurança laboral nas empresas e outros tipos de organização é um aspecto que exige atenção contínua.

Para garantir uma cultura de segurança na empresa é de suma importância focar a prevenção dos desvios cometidos pelos colaboradores. Para isso, é preciso identificar onde estão esses desvios.

3 – Avaliações periódicas

Para que seja efetiva, a cultura de segurança nas empresas, precisa estar sob avaliação constante. Um bom exemplo dessa ação em empresas que gerenciam frotas são os relatórios de avaliação da frota.

Eles podem ser feitos de duas maneiras: por sistema de telemetria ou por relatórios de gestão dos custos da frota. Ambos podem apontar com segurança onde está o maior índice de falhas humanas na operação.

Nesse sentido, é a partir das avaliações que o gestor terá indicadores para identificar os colaboradores que precisam de uma capacitação ou reciclagem, entender seus desafios, escolher as melhores ferramentas didáticas para esse público e realizar uma campanha e/ou treinamento, realmente transformadores.

DICA: Procure definir suas ações após mapear os desvios mais frequentes cometidos pelos colaboradores. Mesmo os menores desvios devem receber as tratativas adequadas, além de serem relatados e computados. O registro de cada caso resultará em indicadores valiosos para o mapeamento que vai definir onde e como atuar.

4 – Adesão

Como vimos acima, o cenário ideal de cultura de segurança nas empresas é uma realidade onde a consciência coletiva e individual de cada colaborador é genuína em todos os níveis hierárquicos da organização.

No entanto, para se alcançar essa mentalidade dentro de uma empresa, é preciso fazer valer a observância das normas e das boas práticas. Nesse sentido, é importante que haja a contínua fiscalização e aplicação das tratativas diante de cada inobservância das normas de segurança.

Da mesma forma, são importantes os reforços positivos por meio do reconhecimento diante das boas posturas por parte do colaborador.

Conclusão

Graças aos avanços trazidos pela tecnologia, cursos e treinamentos voltados à criação de uma cultura sólida de segurança nas empresas vêm alcançando níveis de eficácia sem precedentes.

Existe uma variedade de recursos que fazem das capacitações, reciclagens ou mesmo campanhas mais envolventes e instigantes.

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