Entrevistas

O gestor de frotas em Portugal

Escrito por: Renato Mello

Conversamos com José Fernando Guilherme, Gestor de Transportes no CTT – Correios de Portugal, sobre seus desafios na gestão de frota.

Um pouco sobre o entrevistado, José Fernando Guilherme é Gestor de Transportes no CTT – Correios de Portugal desde 2013. Sua atuação no cargo vai desde a aquisição e contratação de serviços, incluindo oficinas próprias, com a criação de uma rede de oficinas certificadas pelos Correios de Portugal em todo o país.

Até 2006 José Fernando atuou como Gestor de Operações de Transporte na CTT. No cargo, coordenou as operações de transporte, incluindo planeamento da rede de transportes, gestão de frotas, formação de condutores e desenvolvimento de sistemas de controle de redes de transportes.

Ele vem acumulando experiência nos mais diversos desafios como segurança rodoviária, racionalização de energia dos transportes, combustíveis alternativos. Um bom exemplo de desafio é a coordenação do projeto FREVUE nos CTT. Um projeto europeu de veículos elétricos de carga em logística urbana e financiado pela União Europeia.

No ano passado, José Fernando recebeu dois prêmios: “Gestor com Propósito” do “Instituto PARAR” do Brasil e o “Gestor do Ano” da revista “Fleet Magazine”.

Leia a entrevista produzida pela Younder em parceria com o canal Mova-se com mais esse bate-papo enriquecedor sobre mobilidade e gestão de frota.

A carreira do gestor de frotas em Portugal

“Hoje em dia penso que há um reconhecimento da importância de uma boa gestão de frota. Tive a felicidade de trabalhar numa empresa que era quase exclusivamente transportes, nas suas várias dimensões. Havia um forte componente técnico nos transportes, tanto na parte automóvel como na parte ferroviária.

Também operávamos ligações aéreas e marítimas. Havia um grupo de técnicos de muita qualidade com quem trabalhei e aprendi. Eram tempos em que as empresas eram obrigadas a ter know-how próprio e a desenvolver soluções.

Hoje temos outras soluções de frota como as locadoras operacionais, e uma visão muitas vezes mais econômica que técnica. Por isso, também o gestor de frota nos tempos atuais tem que ter outros conhecimentos e continua a ser essencial para assegurar soluções de mobilidade e transporte a custos e qualidade pretendidos.

No entanto, penso que deveria ser mais valorizada, e ter formação mais adequada, para que as empresas possam ter os melhores profissionais nesta área.

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A boa gestão da frota depende de uma boa comunicação

“O gestor de frotas tem que saber muito bem as necessidades dos clientes internos e conhecer também o mercado automóvel para poder escolher as melhores soluções. Tem também que ter uma boa comunicação com os utilizadores para que seja possível implementar políticas de segurança e eficiência energética. Tem que ser reconhecido para que seja ouvido nas decisões importantes na política de frotas.”

Aspecto principal da boa gestão de frotas

“O primeiro sem dúvida será um claro programa de frotas que permita definir com clareza as responsabilidades de todos e a implementação das soluções de formação, controle, responsabilização. E a definição clara das necessidades de meios que nem sempre precisam ser frota dedicada.”

Segurança dos condutores

“A segurança dos condutores é um ponto essencial e infelizmente esquecido muitas vezes. A segurança dos condutores deve estar presente em todas as decisões de frota, por exemplo quando escolhemos um veículo, a segurança deve ser considerada. Na formação, no acompanhamento. Tenho absoluta certeza de que um programa estruturado em todas essas vertentes é valioso para a empresa na redução de custos, mas também na eficiência das operações.”

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Receptividade dos motoristas a treinamentos

“Certamente (condutores) não serão receptivos (a um treinamento) se não virem reconhecimento nessa formação. É muito importante que qualquer ação de formação, inicial ou de continuidade, ou específica para segmentos de condutores (por exemplo com mais acidentes), seja pensada ao detalhe.

Desde os conteúdos até ao modo de desenvolvimento. Quanto mais preparada e ligada aos problemas que têm no dia a dia, mais recepção têm.

Posso dizer que nos CTT, hoje, o volume de formação é muito maior que há alguns anos, muito mais preparado e com a adesão dos condutores. No passado não era assim, os condutores evitavam a formação que era standard. Hoje todos (condutores e chefias) percebem que está ligada aos problemas que tem.”

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Identificar as necessidades de um treinamento

“Uma boa base é o conhecimento aprofundado dos acidentes que existem, aí são identificadas necessidades de formação geral. Também monitorizar a sinistralidade rodoviária é importante para perceber se há novas necessidades. E uma atenção permanente aos novos veículos que entram na frota e que devem ser “apresentados” aos condutores.”

Tecnologia e gestão

“A tecnologia impacta em todos os aspetos das frotas, na gestão ainda mais naturalmente. A capacidade de rastreamento dos veículos e do serviço, a capacidade de monitorar o desempenho das operações, a possibilidade de aferir o tipo de condução e permitir adequar a formação às necessidades reais de cada condutor.

Cada vez mais ligados e cada vez mais seguros e eficientes, esse é o objetivo. Como em todos os processos há dificuldades, há investimentos, formação a realizar, há necessidade de novos profissionais. Não é um caminho fácil, mas é o caminho necessário.”

Gestão de frotas e a mobilidade urbana

“Tudo depende do tipo de frota. Quando estamos mais ligados à mobilidade de pessoas diria que a gestão de frotas deve trabalhar com um conjunto alargado de opções, permitindo a utilização de recursos alternativos para cada deslocação. Na parte do transporte de bens a logística urbana é um dos pontos essenciais, a designada “last mile”, ai há muito a fazer pelos poderes públicos, é uma área ainda pouco trabalhada.”

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