Treinamento para frotas

Cultura de segurança no trânsito e o papel da capacitação dos condutores

Escrito por: Leandro Fernandes

As palavras capacitação e habilitação são muitas vezes confundidas quando se trata da cultura de segurança no trânsito.

O condutor habilitado está oficialmente apto a conduzir um veículo, enquanto o capacitado recebeu treinamento para encarar os desafios e riscos das vias.

A capacitação faz toda a diferença, especialmente para aqueles cuja função envolve conduzir veículos pesados, de passageiro, carga ou que viajam muito a trabalho.

A preparação dos motoristas não pode ser encerrada na autoescola.

Assim como qualquer outra profissão, o aprendizado contínuo, também conhecido como lifelong learning, deve ser parte da rotina, desde o processo de contratação, seguindo toda a permanência do condutor na empresa.

Esse processo ocorre por meio do aprendizado e acompanhamento constantes destes profissionais. Principalmente em uma área que renova e moderniza a frota a cada ano, além é claro, de ser um setor em que o risco à vida do colaborador é alto.

Ciente disso, é de extrema importância saber se seus colaboradores estão aptos a utilizar de forma correta os veículos com freio ABC, direção automática, 4×4, controle de tração, entre outras inovações tecnológicas.

Os treinamentos de motoristas surgem como maneiras de, em uma tacada só, proteger o profissional e terceiros dos riscos envolvidos no trânsito e resguardar a imagem e custos da empresa.

Curso de direção defensiva

Cursos obrigatórios e não-obrigatórios para condutores de frota

Antes de mais nada, é importante saber que o treinamento de motoristas não é opcional. O Código de Trânsito Brasileiro, ou CTB, estabelece uma série de conteúdos obrigatórios para aqueles condutores que irão usar os veículos como fonte de renda – e aqui estão incluídos desde motoristas de caminhões com carga pesada até mototaxistas.

Interessante lembrar também que, mesmo após os treinamentos e cursos obrigatórios, o motorista precisa passar por uma atualização após cinco anos.

Os cursos obrigatórios, em geral, tratam da segurança. O foco é na direção defensiva, leis e normas de trânsito e uso dos equipamentos e tecnologias específicos de cada tipo de transporte.

Eles também influem diretamente nos custos de manutenção, já que o motorista plenamente preparado para utilizar o veículo tende a evitar desgastes ao equipamento.

Os cursos não-obrigatórios também lidam com segurança e bons hábitos, mas podem focar diretamente nas metas e objetivos buscados pela empresa, sejam eles o uso consciente de combustível, a redução no número de multas, foco na produtividade e na preservação de vidas no trânsito.

Por que os treinamentos para condutores são necessários

Por que os treinamentos para condutores são necessários?

Está bem claro que a questão mais importante quando se trata de condutores de veículos é a segurança. Motoristas estão na linha de frente dos riscos no trânsito e são responsáveis não só pelas próprias vidas, mas pelas de terceiros.

Os profissionais da GIG Economy, ou seja, aqueles autônomos que atuam sob demanda, seja de empresas de transporte individual quanto de entregas, são extremamente vulneráveis aos riscos: segundo a pesquisa Desvendando GIG Economy (clique aqui para baixar), feita pela Younder entre os meses de agosto, setembro e outubro de 2019, 55% desses profissionais passam de 5 a 8 horas diárias conduzindo veículos, com 42,4% encarando jornadas de 9 a 12 horas.

O papel do treinamento está em fazer uma ponte entre a produtividade e a segurança, além do bom uso dos recursos da empresa.

O que é cultura de segurança no trânsito

O que é cultura de segurança no trânsito?

A imprudência dos motoristas aparece como principal causa de acidentes no Brasil: segundo um estudo realizado pelo Ministério dos Transporte, Portos e Aviação, são 53,7% do total.

O treinamento preventivo visa justamente corrigir esses comportamentos, conscientes ou não, que levam ao risco.

E não é só a empresa que teve um acidente grave ou fatal que deve buscar o treinamento – o ideal é que o risco seja identificado de maneira a evitar o acidente.

É aí que entra a cultura de segurança: um conjunto de boas práticas que são compartilhadas com os colaboradores. Um treinamento e orientações uniformes entre os responsáveis pela segurança do trabalho e condutores ajuda a fomentar esse tipo de cultura.

Mais que isso, o treinamento consegue colocar em contexto os hábitos de risco, fazendo com que o ato de dirigir torne-se mais consciente que inconsciente – ou seja, evitando a imprudência e distração.

o que muda apos um treinamento

O que muda após um treinamento?

Antes de partir para o treinamento, é importante que a empresa defina suas metas e objetivos. Assim, é possível medir o efeito prático do aprendizado no dia-a-dia.

Todo treinamento é um investimento e, portanto, deve ter retorno para a empresa. Alguns dos benefícios são:

  • Redução de custos operacionais: o uso eficiente do veículo influi diretamente nos custos de combustível e manutenção, enquanto a direção defensiva e a consciência durante a condução reduzem as multas e sinistros;
  • Aumento da produtividade: de maneira mais direta, fazendo com que o motorista percorra uma distância maior em tempo menor, mas também garantindo que ele passe menos tempo ocioso, já que acidentes significam tempo do veículo parado em uma oficina;
  • Segurança de motoristas e terceiros: não só em relação a acidentes, mas a hábitos que podem prejudicar a saúde a longo prazo, como postura inadequada enquanto dirige;

Para a empresa, todos os fatores se traduzem em economia e retorno do investimento. Para o motorista, todos trazem bem-estar e segurança.

Treinamento preventivo realizado com os colaboradores da Comgás

Conclusão

Treinamentos e capacitações são necessários para que o motorista, que já é habilitado, fique plenamente preparado para conduzir o veículo no dia a dia.

O motorista treinado e capacitado:

  • Interpreta as informações que possui, como placas de trânsito, normas e sinais de risco;
  • Aprende a manusear corretamente o equipamento;
  • Faz uso consciente dos recursos, sejam eles o combustível ou o veículo;
  • Difunde boas práticas entre os colegas de trabalho;
  • Encara de maneira consciente o ato de dirigir, reduzindo as chances de imprudência ou desatenção no trânsito.