Treinamento para frotas

Como avaliar a eficácia no treinamento para motoristas

Escrito por: Caroline Guerra

Quando você solicita um treinamento para os motoristas, qual o objetivo? Já parou para pensar nisso? Hoje, vemos pessoas solicitando treinamentos sem saber realmente o querem com eles. Agora, eu pergunto: se não sei direito qual é o meu objetivo, como vou saber se eu o alcancei? Para te ajudar nesta questão, vamos conhecer um pouco mais sobre avaliação.

Existem alguns níveis de avaliação na aprendizagem, quatro níveis criados por Donald Kirkpatrick, e o ROI acrescentado por Jack Phillips:

Mas você não precisa, necessariamente, adotar todos. Isso vai depender do que você quer saber. Vamos ver a seguir cada um deles e como aplicá-los.

Reação, satisfação e ação Planejada

Neste nível, medimos as reações sobre a ação de aprendizagem. Ele é importante para sabermos a primeira impressão que o curso causou e tomar algumas ações imediatas. Exemplo: o motorista foi direcionado a fazer um curso sobre cargas perigosas, mas trabalha com carga indivisível. Ele logo vai sinalizar que o tema não está de acordo com sua realidade e uma atitude poderá ser tomada, como direcioná-lo a um curso mais adequado. 

Esse tipo de avaliação é direcionada ao conteúdo, à forma como ele é aplicado (incluindo a navegação, quando é on-line), à performance de quem aplicou e local (nos casos de cursos presenciais) e/ou plataforma. Essa avaliação pode ser aplicada e mensurada na própria plataforma. Por exemplo, na Younder.lab é possível inserir, aplicar e gerar relatórios comparativos.

Aprendizado

A avaliação do aprendizado pode ser realizada em diversos momentos durante o curso ou treinamento. Ela dá um direcionamento de como a pessoa está compreendendo o conteúdo e, diante dessa resposta, o andamento do curso pode ser alterado focando nas principais necessidades de aprendizagem. No final, pode ser feita uma avaliação geral para sabermos o quanto a pessoa memorizou, compreendeu e consegue aplicar do conteúdo em situações da sua realidade.

Quando a sua empresa trabalha apenas com este nível de avaliação, é importante direcionar os objetivos de aprendizagem para o que pode ser confirmado durante o próprio treinamento. O nível de aprendizagem cognitiva pode variar, mas é preciso colocar de uma forma que aquele comportamento se comprove no próprio curso. Exemplo: mostrar no estudo de caso que sabe quais devem ser os comportamentos quando estiver dirigindo em condições adversas.

Comportamento/aplicação e implementação

Já ouviu falar que diploma não é sinônimo de aprendizado? Um pedaço de papel não garante que os condutores sairão dirigindo perfeitamente, eles precisam comprovar eficiência na prática. Neste nível de avaliação, verificamos se a pessoa conseguiu levar para sua rotina o que foi aprendido.

Quando falamos do uso de tecnologias imersivas, como os simuladores de veículos, estamos nessa fase de mensuração. Nele, é possível treinar na prática e o próprio simulador gera resultados sobre seu desempenho.

Claro que os simuladores representam uma realidade, portanto, é um ambiente controlado no qual o retorno é bem claro e é possível avaliar o motorista em diversos níveis. Quando pensamos no dia a dia, esta análise é bem mais complexa e difícil de ser acompanhada. Por exemplo, como eu vou saber se o motorista que participou do curso está tirando o pé da embreagem após seu uso. 

Assim sendo, para conseguir avaliar a aplicação, é necessário definir antes de criar a solução de aprendizagem:

  • quais serão os comportamentos para qual o treinamento ou curso será direcionado;
  • identificar qual dado referente a este comportamento é possível analisar;
  • qual o resultado desse dado antes da ação de aprendizagem.

Agora, é só comparar se houve alteração depois da ação.

No exemplo dado anteriormente, posso verificar o quanto evitou de manutenção na embreagem do veículo. Mas, para facilitar a verificação de mudança de comportamento, é possível utilizar os sistemas de telemetria que mensuram todas as ações dos motoristas como: tempo que pisam na embreagem, vícios de aceleração desnecessário que aumenta o consumo de combustível, não uso de setas, entre outros. E isso tudo pode ser integrado com uma plataforma de aprendizagem, verifique se há essa função quando for escolher uma para a sua empresa.

Além disso, a telemetria e outras soluções de monitoramento do comportamento do motorista, como o videomonitoramento e sensor de fadiga, auxiliam no “antes e depois” dos treinamentos. Pois conseguem identificar quais são os condutores que precisam passar por um treinamento – com um ranking dos piores motoristas, trazendo aqueles que gastam mais ou estão propensos a causar um acidente de trânsito, por exemplo.

E após eles passarem pelo treinamento, é possível verificar a eficácia do mesmo – analisando se o motorista melhorou seu perfil de dirigibilidade e reduziu as infrações cometidas.

Notou a diferença do nível anterior? Aqui, eu consigo confirmar que aquele comportamento foi alterado.

Resultado/Impacto

Para a análise dos resultados, é necessário que o treinamento ou curso esteja alinhado com o negócio. Ele não fica apenas na mudança do comportamento dos motoristas, mas também em como esse comportamento afeta nos resultados da empresa. Isso é definido a partir dos objetivos de aprendizagem e como eles podem ser medidos através dos indicadores.

Desenhar objetivos de aprendizagem não é tarefa fácil, alguns pontos precisam ser levantados:

  • compreender o nível de aprendizagem que será esperado;
  • o que o motorista fará diferente e melhor;
  • como isso pode ser confirmado transformando em algo tangível;
  • qual indicador da empresa será afetado e como. 

Parece complicado, né? Mas um consultor educacional poderia te ajudar a analisar e definir esses pontos, garantindo um resultado mais assertivo.

Retorno sobre investimento – ROI

Este é um nível mais complexo de avaliação, pois é levado em consideração o tempo que o motorista é tirado de circulação, ou seja, quanto ele vai deixar de produzir em valores. Porém estamos investindo no profissional para colher os frutos depois. 

Portanto, o ROI é uma métrica financeira e é necessário para medir os custos de investimento total desta ação de aprendizagem (tempo do motorista, valor do curso, valor de local e/ou ferramentas) e comparar com os benefícios em valores financeiros que a mudança do comportamento dos motoristas gerou. Vamos ver um exemplo?

Investi X em todo o processo de treinamento de direção econômica da equipe de vendedores que utilizam o carro e consegui economizar X + 20% em combustível e manutenção dos veículos. 

Conclusão

Você percebeu que quando se desenha uma solução de aprendizagem, sempre começamos de trás para frente? Ou seja, quando eu estou planejando, preciso pensar no que vou avaliar no final e qual será o resultado esperado. Assim, todo o conteúdo e ação são feitos direcionados para isso, independente de qual nível seja a minha avaliação.

Se educação não é sua área de atuação, procure ajuda profissional para que os resultados sejam os melhores possíveis.

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